Henri Matisse: pintando com a tesoura

Sempre há flores para aqueles que querem vê-las

Henri Matisse

O artista francês Henri Matisse (1869-1954) é considerado um dos grandes artistas do século 20. Juntamente com seu contemporâneo e amigo Pablo Picasso, foi responsável por inovações estilísticas revolucionários nas artes visuais e na escultura, que alteraram o curso da arte moderna.

A paleta de Matisse era um arco-íris vívido. Seu domínio da cor como expressão foi mostrado em sua vasta obra, que engloba pintura, desenho, escultura, artes gráficas, recortes de papel e ilustração de livros. Nela são explorados temas variados tais como paisagens, naturezas mortas, retratos, interiores domésticos e de estúdio, com foco especial na figura feminina.

 

A dança (II), 1909-10. Museu Hermitage, São Petersburgo.

A dança (II), 1909-10. Museu Hermitage, São Petersburgo.

Sua notável carreira  abrangeu quase seis décadas e meia. Ele foi um dos líderes do Fauvismo, movimento artístico do início do século 20, que enfatizava o potencial expressivo da cor, empregando-a arbitrariamente, não com base na aparência natural de um objeto. Na última década de sua carreira, Matisse inventou um novo meio artístico.

Bonheur de Vivre, 1905-06. Considerada uma das mais importantes pinturas fauvistas.

Bonheur de Vivre, 1905-06.
Considerada uma das mais importantes pinturas fauvistas.

Diagnosticado com câncer abdominal em 1941, aos 71 anos, Matisse foi submetido a uma cirurgia que o deixou limitado à cama e à cadeira de rodas. Pintar e fazer esculturas tornaram-se desafios físicos impossíveis. No entanto, isso não impediu que seu grande espírito criativo se expressasse.

Na limitação física, Matisse criou um novo estilo e uma nova forma de fazer arte que ele chamou de “pintura com tesoura”. O artista não via isso como um “parar de pintar”, mas sim, como uma continuação de sua criatividade e arte.

Herni Matisse

As paredes do estúdio de Matisse viraram suas telas. Em suas mãos, a tesoura se tornou seu pincel, delineando e definindo temas que iam de estrelas a circos. Dançarinos cheios de energia. Folhas e flores que cantam com a alegria da natureza.

O periquito e a sereia, 1952. Museu de Arte Moderna (MoMa), Nova Iorque. https://www.lastampa.it/cultura/2014/04/16/fotogalleria/i-collage-di-matisse-alla-tate-modern-di-londra-1.35767204

O periquito e a sereia, 1952. Museu de Arte Moderna (MoMa), Nova Iorque.
https://www.lastampa.it/cultura/2014/04/16/fotogalleria/i-collage-di-matisse-alla-tate-modern-di-londra-1.35767204

O artista iniciava os projetos cortando folhas de papel previamente pintadas por seus assistentes com tinta guache, em cores bem vivas. Ele passava longas horas refletindo sobre as diferentes combinações possíveis antes de cortá-las com a tesoura.

Henri Matisse

Nu azul III, 1952. Centro Georges Pompidou, Paris, França. https://www.wikiart.org/en/henri-matisse/blue-nude-iii-1952

Nu azul III, 1952. Centro Georges Pompidou, Paris, França.
https://www.wikiart.org/en/henri-matisse/blue-nude-iii-1952

Para trabalhos menores, o artista trabalhava diretamente sob uma placa, usando alfinetes. Já para composições maiores, Matisse usava as paredes de estúdio como tela. Nelas, seus assistentes afixavam os recortes com percevejos ou alfinetes, de acordo com as orientações do artista, que executava vários esboços e estudava diferentes posições e ângulos, antes de decidir a composição final de suas colagens.

https://www.pinterest.co.uk/pin/741616263623517142/
Matisse

https://www.pinterest.co.uk/pin/741616263623517142/

 

Depois que a obra estava pronta, os  recortes eram transferidos para uma tela e colados.

Matisse produziu uma gama enorme de composições ousadas, exuberantes e muitas vezes grandes em escala, como a obra A Piscina, que criou para forrar as paredes da sala de jantar de seu apartamento em Nice, na França.

A Piscina, na sala de estar do apartamento do artista, em Nice. https://www.moma.org/interactives/exhibitions/2014/matisse/the-swimming-pool.html

A Piscina, na sala de estar do apartamento do artista, em Nice.
https://www.moma.org/interactives/exhibitions/2014/matisse/the-swimming-pool.html

A Piscina, na sala de estar do apartamento do artista, em Nice. https://www.moma.org/interactives/exhibitions/2014/matisse/the-swimming-pool.html

A Piscina, na sala de estar do apartamento do artista, em Nice.
https://www.moma.org/interactives/exhibitions/2014/matisse/the-swimming-pool.html

Os desenhos ficaram nas paredes de seu apartamento, até a sua morte. Hoje, enchem as paredes do Museu de Arte Moderna (MoMa), em Nova Iorque, com formas que parecem estar vivas e em movimento.

A Piscina, exposta no MoMa, em Nova Iorque. https://www.pinterest.co.uk/pin/143411569360578431/

A Piscina, exposta no MoMa, em Nova Iorque.
https://www.pinterest.co.uk/pin/143411569360578431/

Certa vez, Matisse escreveu que buscava criar uma arte que fosse “uma influência calmante e relaxante para a mente, como uma boa poltrona”.  Assim podemos interpretar suas obras  como um convite do artista para que você fuja para aquele lugar de alegria, paz e serenidade… (que é) só seu.

Carolina Horta
Carolina Horta
Carolina Horta é formada em História da Arte pela Universidade de Londres e tem cursos de especialização pela “Sotheby’s Institute of Art”. Ela é servidora pública federal e trabalha no exterior há quase nove anos. Atualmente, mora em Varsóvia, na Polônia; antes disso, morou em Londres por mais de seis anos. Morando há tantos anos na Europa, ela tem tido o privilégio de frequentar feiras, bienais, exposições e inúmeros museus, assim como ter acesso a um rico e extenso material sobre arte. Arte até Você é um projeto que nasceu de sua paixão pela arte e de sua vontade de compartilhar e fazer chegar essa paixão aos leitores, onde quer que eles estejam. Sua intenção é informar, inspirar e fazer com que mais pessoas se apaixonem pela arte.

1 Comment

  1. Parabéns Carolina. Sou apaixonada por Arte e adorei descobrir seu site. Publiquei no grupo, Percepção e Expressão . que tenho no Facebook, Posto arte em geral
    Vc explica mto bem.

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