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Oetker devolve pintura a herdeiros de judeu assassinado pelos nazistas
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A Oetker, fabricante alemã de produtos alimentícios, devolveu uma obra do pintor alemão Carl Spitzweg aos herdeiros de um comerciante de tabaco judeu, que foi assassinado pelos nazistas no campo de concentração de Buchenwald.

Carl Spitzweg, Der Hexenmeister (Feiticeiro e Dragão), 1875 – 1880. Coleção privada

Carl Spitzweg, Der Hexenmeister (Feiticeiro e Dragão), 1875 – 1880. Coleção privada
Imagem: Wikimedia Commons

A pintura, característica do período romântico tardio, conhecida como Der Hexenmeister (Feiticeiro e Dragão), fazia parte de uma pequena coleção montada por Leo Bendel, que morava com sua esposa não judia em Berlim.

Bendel foi perseguido por motivos raciais e forçado a deixar seu emprego em 1935. Planejando fugir da Alemanha nazista, vendeu algumas pinturas para a Galerie Heinemann, em Munique, em 1937. Entre elas, a pintura Der Hexenmeister, que foi comprada por Caroline Oetker, naquele ano.

Desde a Declaração de Terezin, de 2009, também são consideradas como roubadas obras vendidas entre 1933 e 1938, pois entende-se que os colecionadores foram obrigadas a vendê-las.

Leo Bendel foi preso pelos nazistas em Viena e deportado para o campo de concentração de Buchenwald, onde morreu em 1940. Sua viúva não judia sobreviveu à guerra.

Confiscar obras de arte foi tão importante para Hitler como obter vitórias militares. Pintor frustrado – ele foi rejeitado pela Academia de Belas Artes de Viena -, ele tinha como ambicioso plano construir, em Linz, sua cidade natal, um “super museu”, o Führermuseum (Museu do Líder, em português); destino final para a maioria das obras confiscadas, roubadas e pilhadas.

Soldados dos EUA inspecionando um autorretrato de Rembrandt, que havia sido roubado pelos nazistas e escondido em um depósito em 1945.

“Infelizmente”, declarou o advogado dos herdeiros de Bendel, “soluções amigáveis e equitativas como essa ainda são uma exceção à regra”. Durante anos, sobreviventes do Holocausto e seus herdeiros têm tido que enfrentar um longo e complicado processo burocrático e jurídico para recuperar obras de arte roubadas deles durante a guerra. Em muitos casos, obras saqueadas estão agora em museus e coleções particulares, tornando a luta pela restituição ainda mais complexa.

Acredito que nenhum governo, museu, colecionador particular, casa de leilões ou comerciante de arte deveria comercializar ou possuir arte roubada pelos nazistas. Como o tema da arte saqueada pelos nazistas já se tornou parte importante das discussões relacionadas à memória do Holocausto, restituí-las é uma obrigação moral.  Devemos isso não apenas àqueles que perderam tanto no Holocausto, mas também ao nosso próprio senso de justiça.


Obras

O pobre poeta ,1839. Neue Pinakothek, Munique, Alemanha.

O pobre poeta ,1839. Neue Pinakothek, Munique, Alemanha.

Girl with goat, c. 1860. Museu Grohmann, Wisconsin, Estados Unidos.

Girl with goat, c. 1860. Museu Grohmann, Wisconsin, Estados Unidos.

Badende Nymphe, c. 1855. Coleção Privada

Badende Nymphe, c. 1855. Coleção Privada

The courier in the Rosenthal, 1858. Marburg, Alemanha

The courier in the Rosenthal, 1858. Marburg, Alemanha

Carolina Horta
Carolina Horta
Carolina Horta é formada em História da Arte pela Universidade de Londres e tem cursos de especialização pela “Sotheby’s Institute of Art”. Ela é servidora pública federal e trabalha no exterior há quase nove anos. Atualmente, mora em Varsóvia, na Polônia; antes disso, morou em Londres por mais de seis anos. Morando há tantos anos na Europa, ela tem tido o privilégio de frequentar feiras, bienais, exposições e inúmeros museus, assim como ter acesso a um rico e extenso material sobre arte. Arte até Você é um projeto que nasceu de sua paixão pela arte e de sua vontade de compartilhar e fazer chegar essa paixão aos leitores, onde quer que eles estejam. Sua intenção é informar, inspirar e fazer com que mais pessoas se apaixonem pela arte.

2 Comments

  1. ExoRank disse:

    Awesome post! Keep up the great work! 🙂

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