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Frida Kahlo: narrando a vida através de imagens – Parte 1

Pés, para que eu te quero, se tenho asas para voar

Polêmica, controversa, irreverente, dona de uma personalidade singular, a artista mexicana Frida Kahlo tornou-se a cara do México e se transformou em uma das figuras femininas mais conhecidas mundialmente.

Suas pinturas são icônicas, principalmente, os autorretratos, com penteados chamativos, sobrancelhas emendadas e sombra do bigode. No entanto, a particularidade do trabalho de Frida reside no fato de que ela fez de sua arte uma espécie de autobiografia. Estudar suas pinturas nos permite conhecer sobre sua vida, suas provações e tribulações, bem como seus valores e crenças.

Frida Kahlo

Autorretrato dedicado ao Dr. Aloesser, 1940.
Coleção privada.
www.fridakahlo.org

Frida Kahlo começou a pintar em 1925, aos dezoito anos de idade, enquanto se recuperava de um acidente de ônibus quase fatal que devastou seu corpo e marcou o início de provações físicas experimentadas ao longo de toda a vida. Nas três décadas seguintes, ela produziu um corpo de trabalho relativamente pequeno, mas consistente e forte.

A artista trabalhou obsessivamente com autorretratos: de suas 143 pinturas, 55 são representações de si mesma. Uma vez lhe perguntaram por que ela pintava tantos autorretratos e, ela assim respondeu:

Eu pinto a mim mesma porque, muitas vezes, estou sozinha e porque sou o assunto que melhor conheço

 

Frida Kahlo

Eu e meus papagaios, 1941.
Coleção particular.
www.fridakahlo.org

Frida Kahlo

Autorretrato com colar de espinhos e beija flor, 1940.
Harry Ranson Center, Austin, Texas, USA.
www.hrc.utexas.edu/collections/art/

Frida foi profundamente influenciada pela arte folclórica e a cultura indígena mexicanas, o que é evidente no uso de cores vivas e alegres e simbolismo dramático. André Breton, o principal teórico do  Surrealismo, quando conheceu seu trabalho, chamou a artista de “surrealista natural”.  Frida, que preferia ver os elementos de fantasia de sua arte como enraizados na tradição mexicana, insistia em dizer:

Frida Kahlo

O que a água me deu, 1938.
Coleção de Daniel Filipacchi, Paris.
www.fridakahlo.org

Eles acham que sou surrealista. Não sou. Eu nunca pintei sonhos. Eu pintei minha própria realidade

Frida retratou sua vida através da arte. Seus trabalhos são baseados em experiências pessoais, incluindo seu casamento, os abortos sofridos e as numerosas intervenções cirúrgicas. Nos retratos gritantes de dor, ela evocou episódios difíceis de sua vida, incluindo a luta contínua contra dores físicas e o estresse emocional causado pelo seu casamento com o famoso muralista mexicano, Diego Rivera.

Frida Kahlo

A Coluna Quebrada, 1944.
Museu Dolores Olmedo, Cidade do México.
www.fridakahlo.org

Frida Kahlo

As duas Fridas, 1939.
Museu de Arte Moderna, Cidade do México.
(Wikipedia)

As adversidades ao longo do caminho, no entanto, não a impediram de ser uma mulher dinâmica, cultural e politicamente envolvida. Frida era comunista e expressou suas crenças políticas em várias de suas obras.

Frida Kahlo

O Marxismo dará saúde aos pobres, 1954.
Museu Frida Kahlo, Cidade do México.
www.fridakahlo.org

Por ter sido sincera sobre a experiência feminina e quebrado tabus em relação a seu corpo e sexualidade, Frida acabou se tornando, ao longo das décadas, um símbolo do feminismo, e, hoje, é sinônimo de empoderamento, liberdade, inteligência e independência.

Frida Kahlo

Hospital Henry Ford, 1932.
Museu Dolores Olmedo, Cidade do México.
www.fridakahlo.org

Frida teve, na arte, seu melhor conforto, transformando e criando sua dolorosa trajetória em uma obra que refletiu os próprios sentimentos sobre sua existência. Ela mostrou ser legítimo o direito das mulheres de exteriorizarem suas dores e frustrações, como um primeiro passo para tentar compreendê-las.

Como disse seu marido e artista Diego Rivera, Frida “rasgou seu peito e seu coração para revelar a verdade biológica de seus sentimentos”.

A artista fez das experiências pessoais das mulheres tema sério e digno de ser explorado pela arte. No entanto, por causa de seu intenso conteúdo emocional, suas pinturas transcendem as fronteiras de gênero. Íntimas e fortes, elas fazem com que os espectadores, homens e mulheres, sejam movidos por elas.

Carolina Horta
Carolina Horta
Carolina Horta é formada em História da Arte pela Universidade de Londres e tem cursos de especialização pela “Sotheby’s Institute of Art”. Ela é servidora pública federal e trabalha no exterior há quase nove anos. Atualmente, mora em Varsóvia, na Polônia; antes disso, morou em Londres por mais de seis anos. Morando há tantos anos na Europa, ela tem tido o privilégio de frequentar feiras, bienais, exposições e inúmeros museus, assim como ter acesso a um rico e extenso material sobre arte. Arte até Você é um projeto que nasceu de sua paixão pela arte e de sua vontade de compartilhar e fazer chegar essa paixão aos leitores, onde quer que eles estejam. Sua intenção é informar, inspirar e fazer com que mais pessoas se apaixonem pela arte.

3 Comments

  1. Marcio Henrique Pereira Ponzilacqua disse:

    Exposição objetiva, muito clara e adequada, como sempre. Parabéns!

  2. Sandra Fayad disse:

    Interessante o narcisismo da pintora Frida. Surpreeendente sabê-la comunista e feminista. Uma mulher cheia de paradoxos, mas uma grande artista.

  3. Maria das Vitorias dos Santos Silva disse:

    Parabéns Carol estou encantada, um espetáculo e você fala da história com muita sabedoria, estou orgulhosa de você 🤗🤗🤗❤❤❤❤

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