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Oetker devolve pintura a herdeiros de judeu assassinado pelos nazistas
Oetker devolve pintura a herdeiros de judeu assassinado pelos nazistas
27 dezembro 2019

Uma vez descrito como poeta com asas de pintor, o célebre artista judeu russo Marc Chagall dizia que

na vida, tal como na paleta do artista, há uma única cor que dá o significado da vida e da arte: a cor do AMOR.

Ao longo de quase oitenta anos de produção artística, Chagall (1887-1985) trabalhou com uma variedade enorme de mídias, tais como pintura, escultura, cerâmica, tapeçaria, vitrais, ilustrações de livros e cenários para ópera e teatro.

Suas obras coloridas e poéticas, carregadas de emoção, nas quais a realidade e a fantasia se misturam, fizeram de Chagall um dos artistas mais populares do século XX.

Chagal nasceu em 1887, em Vitebsk, Bielorrússia, então parte do Império Russo. Ele cresceu no seio de uma família modesta em uma comunidade judaica bastante vibrante.

As lembranças de sua infância em Vitebsk e de sua vida nessa comunidade tiveram um impacto significativo no desenvolvimento do estilo artístico de Chagall.

Eu não morei contigo (Vitebsk), mas eu não executei uma só pintura que não respirasse com teu espírito e uma reflexão sobre ti.

Chagall

Em 1910, aos vinte anos de idade, Chagall se mudou para Paris, que havia se tornado a meca do mundo da arte. O artista ficou fascinado com a liberdade artística que encontrou na capital francesa. Ali, ele entrou em contato com os estilos da vanguarda moderna, como o Cubismo, o Fauvismo, o Orfismo, o Expressionismo e o Simbolismo.

Apesar de receber várias influências, Chagall não aderiu a nenhuma delas. Ele foi absorvendo elementos plásticos dos diversos movimentos de vanguarda e os combinou com seu próprio cunho folclórico, para criar uma linguagem pictórica própria e inconfundível.  Essa é uma das razões pelas quais seu estilo é tido como inclassificável.

Marc Chagall (1887–1985); Le marchand de bestiaux; 1912

O comerciante de gado, 1912. Kunstmuseum Basel, Basel, Suiça.
(Crédito de Imagens: Wikimedia Commons)

Embora as imagens colhidas do inconsciente e de sua memória onírica o colocassem como um precursor do Surrealismo, quando convidado formalmente a integrar o movimento, ele o recusou. Chagal não queria se conformar com teorias de arte e regras. Para ele, era imprescindível deixar o espírito sonhador de sua alma completamente livre.

“Não quero ser como todos os outros”, anunciou o artista. “Quero ver um mundo novo.”

O primeiro contato com a cidade francesa o impressionou pela luz e pela cor. Não só as luzes em Paris, mas também a luminosidade do campo francês, que ele nunca vira na Rússia, transformaram sua pintura. As cores se tornaram brilhantes, como se tivessem sido inundadas de luz.

A cor é uma das características que torna Chagall tão especial. Ela é, geralmente, o primeiro aspecto que nos vem à mente quando pensamos no artista.  Chagall costumava dizer que “se toda a vida se move inevitavelmente em direção ao seu fim, então devemos, durante a nossa, colori-la com nossas cores de amor e esperança.”

As cores mais utilizadas por ele foram azul, vermelho e amarelo. Em seguida, branco e um pouco de verde e violeta.

Marc Chagal Concert

O concerto, 1957. Coleção Particular.
(Crédito de imagem: www.marcchagall.net)

Mas o azul parece ter sido sua cor preferida, já que é a cor dominante em uma grande parte de suas obras. Em suas pinturas e vitrais, encontramos o azul profundo e vibrante, que se tornou sua marca registrada.

Marc Chagall

Vitral na Igreja All Saints’, 1967- 85. Tudeley, Reino Unido.
(Crédito de imagem: Wikimedia Commons – Creative Commons Attribution 2.0 Generic license)

Há vários elementos fascinantes e recorrentes nas obras de Chagall, tais quais o violinista no telhado, as vacas voadoras e os galos coloridos.

O Violinista, 1912-1913. Stedelijk Museum, Amsterdã, Holanda.

O Violinista, 1912-1913. Stedelijk Museum, Amsterdã, Holanda.
(Crédito de imagem: Wikimedia Commons – Creative Commons Attribution 2.0 Generic license.)

No entanto, nenhum é tão marcante como o dos amantes levitantes, talvez, porque eles exprimam de forma clara e inequívoca o tema central da obra de Chagal: o AMOR.

O Aniversário, 1915. Museum of Modern Art (MoMA), Nova York. (Crédito de imagem: Wikimedia Commons)

O Aniversário, 1915. Museum of Modern Art (MoMA), Nova York.
(Crédito de imagem: Wikimedia Commons)

O Passeio, 1917. State Russian Museum, São Petersburgo, Rússia

O Passeio, 1917. State Russian Museum, São Petersburgo, Rússia
(Crédito de imagem: www.marcchagall.net)

Eu sempre pintei quadros, onde o amor humano inunda minhas cores.

Chagall

Se você quiser ouvir uma análise mais profunda do estilo e das obras do artista e entender por que Chagall costumava declarar que o amor era a cor primária de suas pinturas, assista ao vídeo acima (https://youtu.be/_U7HtENwlCY)

Outras obras

Eu e a Aldeia, 1911. Museum of Modern Art (MoMA), Nova York. (Crédito de imagem: Wikimedia Commons)

Eu e a Aldeia, 1911. Museum of Modern Art (MoMA), Nova York.
(Crédito de imagem: Wikimedia Commons)

O Malabarista, 1943. Art Institute of Chicago, EUA.

O Malabarista, 1943. Art Institute of Chicago, EUA.
(Crédito de Imagem: www.marcchagall.net)

Vaca com sombrinha, 1946. The Metropolitan Museum of Art, Nova York

Vaca com sombrinha, 1946. The Metropolitan Museum of Art, Nova York.
(Crédito de Imagem: www.marcchagall.net)

A noiva e noivo da Tour Eiffel, 1938-39. Centro George Pompidou, Paris. Musée National Message Biblique Marc Chagall, Nice, France. (Crédito de imagem: www.marchagall.net)

A noiva e noivo da Tour Eiffel, 1938-39. Centro George Pompidou, Paris.
(Crédito de imagem: www.marcchagall.net)

Amantes entre lilases, 1930. The Metropolitan Museum of Art, Nova York

Amantes entre lilases, 1930. The Metropolitan Museum of Art, Nova York.
(Crédito de imagem: www.marcchagall.net)

Sobre a Aldeia, 1914-18. Tretyakov Gallery, Moscou, Rússia.

Sobre a Aldeia, 1914-18. Tretyakov Gallery, Moscou, Rússia.
(Crédito de imagem: www.marcchagall.net)

Teto da Opera Garnier, 1964. Paris. (Crédito de imagem: www.idesignarch.com)

Teto da Opera Garnier, 1964. Paris.
(Crédito de imagem: www.idesignarch.com)

Cenário e figurino para a ópera A Flauta Mágica, 1967. Metropotilan Opera House, Nova York.

Cenário e figurino para a ópera A Flauta Mágica, 1967. Metropotilan Opera House, Nova York.
(Crédito de imagem: https://odin.lacma.org/)

Um dos mosaicos de As quatro Estações, 1974. Chicago, EUA

Um dos mosaicos de As quatro Estações, 1974. Chicago, EUA.
(Crédito de imagem: www.marcchagall.net)

 

Carolina Horta
Carolina Horta
Carolina Horta é formada em História da Arte pela Universidade de Londres e tem cursos de especialização pela “Sotheby’s Institute of Art”. Ela é servidora pública federal e trabalha no exterior há quase nove anos. Atualmente, mora em Varsóvia, na Polônia; antes disso, morou em Londres por mais de seis anos. Morando há tantos anos na Europa, ela tem tido o privilégio de frequentar feiras, bienais, exposições e inúmeros museus, assim como ter acesso a um rico e extenso material sobre arte. Arte até Você é um projeto que nasceu de sua paixão pela arte e de sua vontade de compartilhar e fazer chegar essa paixão aos leitores, onde quer que eles estejam. Sua intenção é informar, inspirar e fazer com que mais pessoas se apaixonem pela arte.

1 Comment

  1. So disse:

    Carol,
    Que bela análise sobre Chagall! Tocante e inspiradora.

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